Um reflexo de vida fez seu olho esquerdo entreabrir-se, efeito da sinapse chegando ao mal tratado cérebro para a tomada de decisão. "Vodca". Não era novidade. Najui tomava cuba libre nessa pocilga à mais de três anos, e nunca houve uma garrafa de rum. Lhe bastava a inércia do canto do balcão, observando a fumaça do seu cigarro sem filtro e mantendo-se longe de encrencas, que ultimamente o perseguiam. Ed não mantinha a mesma passividade, talvez por isso fosse conhecido como Dead. Bronco, burro e mal intencionado, tem apenas dois chips em seu miolo mole, e cento e vinte quilos de banha, músculo e estupidez. Sabiam-se ali todos as noites, mas isso não importa no underground. Frank manteve o bar de seu pai, Polaco, desertor da guerra de 45, e não tem mais ninguém no mundo para faze-lo após sua morte, em cinco ou seis anos no máximo. Se vira do jeito que pode, principalmente mantendo o bico fechado. Nem todos os trâmites ilícitos de Kosovo são feitos aqui, só os piores. Um impacto seco e metálico irrompe de subto, e um junk desmonta no chão. O Careca não enxerga nada bem, sequelas da adolescência, mas sua bengala de pé-de-mesa é certeira. Montanha arrasta o corpo para respirar a neve lá fora. Amanhã ele estará aqui novamente.
By Carlão BrandoCompositor, escritor, pintor, fazedor de vitamina nas manhãs de pura ressaca, um grande e querido amigo.